Café beira rio 2
Leitor

Por Francisco Vital

Era assim que se chamava quando aqui cheguei em 1983 e logo passou a ser chamada de JMC, Jacobina Mineração e Comércio. Era uma grande empresa, ela e as empreiteiras formavam um contingente de mais de 2.000 empregado, a frota de ônibus era imensa. Da região tinha poucos profissionais, vinham quase todos do Rio grande do Norte, me refiro ao pessoal do subsolo. As tardes, na volta do trabalho, Jacobina ficava praticamente toda azul, era a cor da roupa dos trabalhadores, os homens nos bares, falavam do trabalho do dia e contavam suas mentiras e vantagens, as esposas em supermercados e boutiques, o comércio rodava, girava como catavento. O ouro era mais farto, o teor era bem maior e o uso da gravidade no transporte do minério baixava muito os custos.A falta de mão de obra da região fez com que a empresa criasse um centro de treinamento para o pessoal do subsolo e assim, muita gente foi treinada criando aqui, na região uma cultura mineira. O quadro técnico era praticamente 100% potiguar, sem um bom quadro técnico é praticamente impossível "tocar" uma mineração do porte dessa existente em Jacobina. Seu quadro técnico era invejável e objeto de desejo de outras empresas e aqui eu não posso negar, ela pagava altos salários pra essa turma. Os tecnicos, praticamente todos, foram recrutados pelo próprio gerente e depois diretor. Amanhã falarei mais sobre a mina e sua importância em nossa cidade.

Francisco Vital é comerciante e ex-funcionário da Morro Velho.