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 Dr. George Brito, médico ortopedista

A coluna Saúde em Foco entrevista nesta edição o médico ortopedista Dr. George Brito, que fala sobre fratura exposta e os cuidados para uma boa recuperação.

Segundo Dr. George, “a fratura é a ruptura de ossos, ou seja, quando acontece uma perda da continuidade óssea. Após um traumatismo, o osso se divide em dois ou mais fragmentos”.

Para saber mais sobre este tema, tivemos uma conversa esclarecedora e o médico falou quais os cuidados e tratamentos para que o paciente possa ter uma breve recuperação e boa qualidade de vida, após a fratura exposta.

Graduado em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP/2006), Dr. George Brito fez Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia no HUPES/UFBA. Ele também é membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), membro da AO Trauma, preceptor de trauma ortopédico na Residência Médica do Hospital Manoel Victorino e no Hospital Eládio Lasserre e Atualização em Reconstrução e Alongamento Ósseo pelo IOT/USP/CEGOM. Atualmente é Diretor Médico do Hospital Municipal Antônio Teixeira Sobrinho (HMATS) e atende na unidade como ortopedista de segunda a quarta-feira.

 A seguir, as perguntas mais comuns e o que o médico fala a respeito:

Saúde em Foco – O senso comum tem como fratura exposta aquela que rompe ou atravessa a pele. Estamos certos? Caso contrário, qual a definição exata de fratura exposta? 
Dr. George Brito –  A definição de fratura exposta é mais abrangente. Segundo Rockwood (2010) é toda fratura que possui uma solução de continuidade de seu foco e de seu hematoma com o meio externo. Exemplo: não é necessário visualizar o "osso" para que seja fratura exposta. Por isso, qualquer ferimento num membro fraturado tem que ser suspeitado!

Saúde em Foco – Muitos acidentes, mais graves, acabam em fratura exposta. Como devemos agir em um caso como esse?
Dr. George Brito –  No ambiente pré-hospitalar a primeira coisa a fazer é entrar em contato com o Serviço Móvel de Urgência (SAMU), não manipular o ferimento, improvisar imobilizações e, quando necessário, fazer curativo compressivo. No atendimento hospitalar a equipe médica segue o protocolo de atendimento para o Politraumatizado segundo o ATLS (Advanced Trauma Life Support).

Saúde em Foco – Isto significa que os primeiros socorros em um paciente com fratura exposta podem determinar a sua qualidade de vida após o tratamento?
Dr. George Brito – Com certeza! A abordagem inicial tem uma relevante diferença no resultado final do tratamento. Pacientes abordados e tratados de forma correta melhoram os índices de qualidade de vida e retornam às suas atividades de forma mais rápida e sem sequelas.

Saúde em Foco – O que fazer quando a fratura está sangrando intensamente?
Dr. George Brito – A primeira coisa a ser feita no ambiente pré-hospitalar é a realização de um curativo compressivo, se possível com material estéril. Caso não tenha o material, como na maioria das vezes, utilize uma toalha, pano ou camisa, desde que limpos, para comprimir o sangramento. Nunca coloque nenhum tipo de produto no ferimento.

Saúde em Foco – Sabemos que no intuito de ajudar, muitos acabam realizando ações/manobras incorretas. Sendo assim, o que não fazer no caso de uma fratura exposta?
Dr. George Brito – Devemos sempre buscar uma equipe treinada para o tratamento adequado, ligar pro SAMU 192 e, caso não tenha essa opção, encaminhar o paciente para a unidade de saúde mais próxima. Nunca manipular a fratura; jamais tentar "colocar no lugar". Manobras como essas podem contaminar ainda mais o ferimento e/ou lesionar estruturas neurovasculares.

Saúde em Foco – A Regulação do Estado tem demorado no atendimento aos pacientes que necessitam de UTI ou de cirurgias de especialidades, entre elas as ortopédicas. Qual o tempo máximo para a realização de um procedimento cirúrgico, sem que o paciente tenha sequelas?
Dr. George Brito – Existem mais pacientes do que leitos disponíveis. Isso inviabiliza o tratamento ideal... Coloca a Saúde pública em cheque. Fraturas expostas são consideradas Emergências e deveriam ser abordadas inicialmente em até seis horas. Estudos recentes mostram maior flexibilidade, estendendo para até 24 horas. As fraturas fechadas no geral não precisam de uma abordagem tão rápida e cada caso tem que ser avaliado de forma individual. A ideia do Sistema de Regulação é excelente, porém não funciona de forma satisfatória.

Saúde em Foco – Existe algum membro ou osso específico em que a fratura se torna mais grave? 
Dr. George Brito – Sim! As fraturas de bacia, coluna e fêmur são consideradas mais graves do ponto de vista de mortalidade, principalmente quando associadas a traumas de alta energia e assim colocam o paciente em risco iminente de morte. Quanto às sequelas, vale lembrar das complicações das fraturas articulares (pilão, platô, calcâneo, úmero proximal...).

Saúde em Foco – Em que caso há recomendação para o paciente usar o fixador externo ou a haste? Este tipo de tratamento é pago pelo SUS?
Dr. George Brito – Os tratamento das fraturas expostas evoluíram com o tempo e, de forma crucial, obtiveram avanços durante as Guerras. Atualmente os fixadores externos têm indicação principal no que chamamos "Controle de Danos", nesse caso um método provisório. Pode também ser utilizado para o tratamento definitivo, para alongamento e correção de deformidades através do método de Ilizarov. As hastes intramedulares bloqueadas são dispositivos considerados "padrão ouro" para o tratamento das fraturas de tíbia (perna) e do fêmur (coxa), sendo o método para tratamento definitivo. Ambos os dispositivos são pagos pelo SUS, contudo existem materiais com tecnologia superior não disponíveis na rede SUS.

Saúde em Foco – Por fim, que atitude do paciente pode comprometer o tratamento? 
Dr. George Brito –  O paciente e os familiares são coautores do sucesso na cirurgia ortopédica.  Alimentação inadequada, ingerir bebidas alcoólicas e/ou quaisquer tipos de drogas ilícitas, fumar, mal-cuidado de higiene, ausência de fisioterapia precoce, não usar as medicações prescritas... Estas ações comprometem o tratamento e a qualidade de vida do paciente!

NOTA: As informações existentes nesta coluna não pretendem substituir a consulta médica. Em caso de algum sintomas tratados na entrevista, procure sempre uma avaliação com um médico da sua confiança.
Comunicação do HMATS