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Café beira rio 2

Por Angel Rosa

Duas ações na história de Jacobina são separados por imenso abismo. Uma, o largo e generoso gesto de Antonio Teixeira Sobrinho ao deixar o hospital como doação à população; outra, a mesquinhez de alguns edis jacobinenses em negar autorização de doação de determinado pedaço de terra que serviria à faculdade  gestora do curso de Medicina, na cidade.

Se houvera o homem simples Teixeira Sobrinho se deixado apequenar pelo pérfido sentimento da mesquinhez, quantas vidas teriam sido ceifadas nos últimos setenta anos. Quantas feridas não cicatrizadas, quantas dores não amenizadas, quantos pobres deixariam de obter atendimento médico condizente a sua necessidade. Quanta gente desamparada.

A sovinice de se colocar metro em discussão de tamanha significância para o povo jacobinense e de toda região, baseia-se no fato do interesse político. Este se sobrepõe ao interesse público.

A política de Jacobina ainda se guia pelos famosos caciques que, para seu bem individual e inefável gozo pessoal, manipulam a população em grupos estéreis ao progresso, mas eficientes quanto ao interesse particular.

Assim é que, mesmo que a iniciativa seja benéfica, veremos a ação deletéria e interesseira de grupos que, no afã de destruir o rival, estupram o interesse da coletividade.

A alegação dos três vereadores é a do bom uso do patrimônio público. Mas vê-se claramente que movem-se baseados na proximidade das eleições e no suposto benefício que a instalação do curso de Medicina traria para o atual prefeito, o que facilitaria uma possível reeleição do mesmo.

E nesta guerrinha inócua o tempo se esvai. Bem como a paciência da população.

É fácil ver que o povo quer a doação. Mas três vereadores insistem em não autorizá-la, sob argumentos os mais inverossímeis. Também inverossímeis o são os argumentos dos vereadores da situação, que não explicam ser necessária (ou não) a tal maioria que o governo municipal tem na Câmara.

O que vale é a guerra de grupos. A política de grupos. A orgia político-grupal, atitude que aumenta a sensação de desamparo da maioria da população, que gostaria de ter governos, executivos, legisladores de pensamento, digamos, mais universal.

Afinal o Carcará já não mais “pega, mata e come”. Assim, não se faz necessário também hastear a Bandeira Branca.

Cresçamos, gente.

Angel Rosa é radialista